Você pode procrastinar desde que siga estas 3 dicas

É domingo à noite e você corre contra o relógio.

Você está uma pilha de nervos.

Bufando… você pensa:

“Putz, vou ter que varar a madrugada pra terminar esse trabalho até amanhã, às oito”.

Em seguida, sem dar uma palavra e com peso na consciência, você se lamenta por não ter começado antes; já que o professor marcou há trinta dias.

E aí, soa familiar?

De certa forma, todo mundo enrola para terminar alguma coisa. Uns mais, outros menos.

Depois, sofremos com sentimentos negativos, como a culpa e a vergonha.

Felizmente, é possível tomar outro rumo e evitar as armadilhas da procrastinação. Ou quando não, aliviar os efeitos.

Para isso, antes precisamos lançar luz sobre com o que estamos lidando…

O que é procrastinação (e o que não é)?

procrastinar-01

Procrastinar é algo que os seres humanos fazem há séculos.

O problema é tão velho que os antigos filósofos gregos, como Platão e Aristóteles, deram um nome especial: Akrasia.

Akrasia era o termo usado para designar o estado de agir contra o que seria desejável fazer de acordo com razão.

Isto é, quando você faz uma coisa, mesmo sabendo que deve fazer outra.

No livro dos Salmos também encontramos referência.

O Salmo 90 é uma oração de Moisés que pede a Deus para nos ajudar a utilizar nosso tempo de modo adequado e produtivo.

” […] Ensina-nos com o contar de nossos dias a alcançar a sabedoria do coração. […] Que sobre nós pouse Tua graça; faze prosperar as obras de nossas mãos; sim, a obra das nossas mãos, faze prosperar.” (Salmo 90, 11 e 17)

Se Moisés pedia isso para Deus, é porque ele também sofria desse problema.

E hoje em dia, qual a definição de procrastinar?

Aqui está uma:

É o ato de adiar ou atrasar algo.

Essa é uma definição um tanto genérica. Temos que ter cuidado com ela.

Pois nem todo atraso pode ser visto como procrastinação, não é mesmo?

Por exemplo, você decide adiar seu horário de estudo para a tarde porque pela manhã ocorreu um imprevisto.

Nesse caso, não é procrastinação.

Mas se de tarde você adiar o estudo mais uma vez, há grande chance de ser procrastinação.

A razão número 1 para você adiar o início dos estudos

procrastinar-02

Um dos maiores problemas da nossa geração é a procrastinação.

Ela afeta grande parte dos estudantes universitários, como uma verdadeira epidemia.

“… estima-se que de 80% a 95% dos estudantes universitários têm o hábito de procrastinar (…) na população em geral, ela afeta cerca de 15% a 20% dos adultos.” (Steel, 2007, p. 65)

Apesar do grande número de distrações que temos hoje em dia, elas não são em si a causa da procrastinação.

As distrações apenas funcionam como refúgio.

Porque, na verdade, tendemos a fugir de toda tarefa que nos causa incômodo. E para justificar a fuga, criamos todo tipo de desculpas irracionais.

Esta é a razão número 1 para você procrastinar nos estudos:

nós adiamos as coisas que nos causam desconforto.

Para muitas pessoas, estudar matemática é uma tortura. Tem gente que faz careta, esperneia, só de pensar.

Inclusive, as últimas pesquisas sobre como o cérebro se comporta nesses casos, trazem informações úteis para fortalecer a nossa vontade contra a procrastinação.

A ciência por trás da procrastinação

procrastinar-03

O que acontece dentro do cérebro de um procrastinador?

O que nos faz evitar as coisas que sabemos que deveríamos estar fazendo?

Primeiro, saiba que nosso cérebro tende a valorizar recompensas imediatas mais do que recompensas futuras.

Esse fenômeno é conhecido na psicologia comportamental como “inconsistência de tempo”.

(E o que isso quer dizer na prática?)

James Clear, do site jamesclear.com, dá um ótimo exemplo para entender esse processo.

Imagine que você decidiu aprender um novo idioma: italiano.

Daí você faz os seus planos para aprender. Pensando em como executá-lo de hoje até… um determinado dia (ou ano) no futuro, certo?

Mas para realizar esse plano você precisa agir no presente, não é mesmo?

Porém…

(É aqui que entra a “inconsistência do tempo”.)

Os pesquisadores descobriram que:

quando se trata do presente, o cérebro gosta mais de gratificação instantânea.

É como se existisse dois “Eus” em você. Um Eu Futuro, que pensa em gratificações a longo prazo e o Eu Presente, que pensa em gratificações instantâneas

E aí, acontece um choque entre esses “Eus”.

O seu Eu Futuro quer falar italiano, mas o seu Eu Presente não vê nenhuma vantagem nisso agora.

Essa é uma das razões por você se sentir empolgado quando traça suas metas de longo prazo…

… mas na hora de colocar a mão na massa, você cai no velho padrão de adiar…

Seu cérebro valoriza os benefícios de longo prazo enquanto eles estão no futuro — algo para amanhã, por exemplo.

Mas quando se trata do presente, ele gosta mesmo é de um benefício imediato — para hoje.

Por causa disso que as distrações fáceis e divertidas (mais detalhes na palestra TED Talks, Tim Urban) são as preferidas na hora de evitar tarefas desconfortáveis.

Então, o nosso primeiro problema não é fazer, é começar.

O problema não é fazer, é começar!

Basta pensar numa matéria que não gostamos e nosso cérebro cria resistência, não é mesmo?

Barbara Oakley, no livro “Aprendendo a Aprender”, menciona estudos de imagem do cérebro em pessoas que não gostam de matemática.

Os estudos revelaram que:

os centros de dor do cérebro dessas pessoas se iluminam quando elas pensam em estudar matemática. O cérebro reage como se fosse algo doloroso.

Mas o estudo também abriu horizonte para novas formas de lidar com a procrastinação.

As imagens mostraram que a antecipação (o fato de pensar antes) é que era dolorosa. Ao iniciar o estudo de matemática, a dor começava a sumir.

Isso quer dizer que existe uma linha entre procrastinação e ação. Quando você cruza a linha da procrastinação/ação, a dor de procrastinar começa a diminuir.

linha-procrastinar-acao
jamesclear.com/procrastination

Portanto, você NÃO pode confiar em ganhos futuros para motivar suas ações no presente.

O pulo do gato para você se sentir motivado no presente e atravessar a fronteira entre procrastinação e ação, é:

trazer para o momento presente as recompensas ou ameaças futuras.

Uma forma de fazer isso é criar uma imagem mental viva como se você já tivesse realizado seu desejo ou sofrendo com as ameaças.

Afinal de contas:

Quanto tempo e energia você perdeu sofrendo ou sentindo culpa por ter adiado alguma coisa, para depois descobrir que a tarefa tomava pouco tempo?

E outra coisa de primeira ordem.

É comum a gente sentir aversão por algo em que não somos bons.

Entretanto, quanto mais você se dedica, melhor se torna; e mais você começará a tomar gosto pelo assunto.

Do contrário, se você sair correndo toda vez que se depara com uma tarefa nada agradável, ficará cada vez mais acostumado a adiar o que deve ser feito.

A curto prazo pode até parecer que não fará nenhum mal, mas e quanto aos efeitos no longo prazo?

Eles não são nada bons.

O preço da procrastinação

Não importa porque você procrastina. Cada um tem suas razões (ou melhor, desculpas).

Contudo, todos os procrastinadores têm algo em comum.

Quando você procrastina, pode se sentir melhor a curto prazo, mas sofrerá a longo prazo.

Em 1997, Roy Baumeister e Dianne Tice, trataram do custo da procrastinação neste estudo.

Eles sugerem que a procrastinação é um tipo de comportamento autodestrutivo. Porque está relacionada a:

  • depressão;
  • crenças irracionais;
  • baixa autoestima;
  • ansiedade;
  • estresse.

Os procrastinadores têm níveis mais baixos de estresse quando procrastinam em comparação aos não procrastinadores…

… no entanto, sofrem em dobro com altas doses de estresse no longo prazo. Pois eles enfrentam as conseqüências de não terem concluído suas tarefas a tempo.

E se você REALMENTE quer reduzir os efeitos da procrastinação não só nos estudos, mas na sua vida:

comece por desistir da ideia de zerar a procrastinação — por mais que você ouça o contrário.

(Achou estranho? Eu te explico…)

Se já é difícil evitar a procrastinação, quanto mais vencê-la. De certa forma, todos nós procrastinamos um pouco aqui e ali.

A procrastinação está nos nossos genes — esta pesquisa tem mais detalhes.

A melhor coisa a fazer é trabalhar para diminuir seus efeitos no curto prazo. E no longo prazo, aprender a dominar sua vontade.

A seguir, três dicas testadas e aprovadas para te ajudar, mesmo enquanto você está procrastinando.

3 Dicas para usar a procrastinação a seu favor

procrastinar-04

Eu sei que no começo dessa luta, é quase impossível resistir aos impulsos que desviam nossa atenção para tudo que não seja o estudo.

Então, ao invés de ir chorar na cama porque você deixou passar mais essa, que tal tirar vantagem da procrastinação na próxima?

(O quê?)

Isso mesmo!

Utilize estas 3 dicas úteis quando for procrastinar…

Dica #1: Não use computador, celular ou videogame.

Durante a procrastinação evite equipamentos com telas.

A tela dos equipamentos é projetada para estimular a região cerebral relacionada a atenção.

As luzes, os ícones e sons fazem com que você fique sempre alerta. O que gera esforço e consumo da energia cerebral.

Dessa forma, seu cérebro não carrega a bateria. E sua aprendizagem será prejudicada, pois quando voltar ao estudo estará mais cansado.

Enfim, não use internet. Acessar sites, redes sociais ou vídeos, é algo sedutor demais.

Dica #2: descubra o problema mais fácil.

Antes de procrastinar, descubra qual é a parte mais fácil da tarefa que você tem para fazer

Por exemplo, você tem que estudar geometria: cálculo de áreas planas.

Identifique qual é o problema mais fácil dessa tarefa — só isso, não precisa tentar resolvê-lo.

Dica #3: Anote o problema.

Copie em um pedaço de papel a tarefa que você tem para fazer. Se for problemas de matemática, anote-os.

Guarde esse papel com você até que você esteja pronto para voltar ao estudos.

Essas dicas são úteis porque fazem com que seu cérebro continue trabalhando de forma oculta (segundo plano) na tarefa, mesmo durante a procrastinação.

Agora, para você que chegou até aqui, tenho uma dica bônus.

Dica bônus: coloque a tarefa mais importante (ou assustadora) no topo da sua lista.

O emérito professor de filosofia de Stanford, John Perry, apresenta no seu livro, “A Arte da Procrastinação”, uma forma estruturada de procrastinar.

Eu te explico…

Coloque a tarefa mais importante no topo da sua lista. E abaixo, inclua outras atividades importantes, mas que dão menos trabalho.

A ideia aqui, segundo John, é que os procrastinadores tendem a evitar tudo o que está no topo da lista.

Ao evitar a tarefa do topo, você aproveita sua vontade e resolve as demais tarefas, também valiosas.

É possível mudar!

procrastinar-05

Procrastinar é humano.

Ainda assim, é SUA obrigação se esforçar para não deixar a procrastinação atingir nível crônico.

Uma forma comprovada de manter a procrastinação sob controle é construir uma rotina diária de estudos.

Não é uma tarefa fácil. É um trabalho longo, de início penoso e que exige perseverança e paciência.

Até porque, se fosse fácil controlar a procrastinação, você já teria conseguido, não tinha?

Mas se você persistir, o triunfo é CERTO.

Olá! O que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *