Como estudar melhor com estas 10 dicas comprovadas

Confesso que não foi na escola onde aprendi a estudar com proveito.

Também não foi lá que reconheci a importância do estudo.

Na escola era o típico aluno que pegava nos livros somente na semana de provas.

Tirava notas medíocres.

Como a nota mínima para ser aprovado era cinco, não me preocupava em obter uma nota maior. Estudava só para ser aprovado.

No período em que frequentei a faculdade evolui bastante nos estudos, mas o velho hábito de estudar para passar continuava firme e forte.

Minha mentalidade começou a mudar depois que decidi trancar a matrícula e por esforço próprio, no meu tempo, aprender as coisas de que tanto necessitava — houve uma transformação!

Com tal atitude, consegui enxergar claramente o motivo do meu baixo rendimento na escola, enquanto na faculdade e nos concursos. Era algo muito simples, porém, foi necessário muita pesquisa e insistência para fazer as mudanças acontecerem.

Naquela época, eu sabia exatamente quando e quanto estudar, mas não sabia… como estudar!

Descobri também, observando muitos estudantes que, mesmo tendo o bom hábito de estudar diariamente, apresentavam erros graves que causam diversos distúrbios na aprendizagem, como resistência para entender, reter e aplicar a matéria.

O que pode levar muitas pessoas a adotarem uma mentalidade fixa, limitada ou até mesmo retrógrada quanto à capacidade de prosperar ao longo da vida.

Se, você, convive com esse tipo de problema ou conhece alguém em apuros, fique tranquilo, essa história não precisa terminar assim… Felizmente é possível superar todo esse embaraço e atingir resultados admiráveis, qualquer que seja o objetivo:

  • Estudar para concursos;
  • Estudar para vestibulares;
  • Estudar para o ENEM;
  • Palestras, apresentações ou seminários;
  • Exames práticos de cursos técnicos;
  • Estudar para adquirir mais conhecimento em determinada área, mesmo que por hobby, sem a pretensão de obter algum título.

Fazer uso das melhores práticas de estudo com outras habilidades é importante para sair da mediocridade e alcançar a excelência nos estudos.

Por isso, vou ensinar a você como estudar melhor, através de simples, mas eficientes 10 dicas de ouro. Você aprenderá várias dicas práticas que alguns anos de experiência me ensinaram sobre o que funciona, e o que não — raramente ensinadas na escola ou universidade.

Inclusive, a maioria, já teve sua efetividade comprovada pela ciência. Por exemplo, a dica #9, ignorada pela maior parte dos alunos e professores, contudo ela faz toda a diferença.

Pronto? Então continue lendo esse artigo e conheça as 10 dicas abaixo:

Como estudar melhor: um clássico conselho que mais prejudica do que ajuda

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Você já ouviu o clássico conselho “Estude mais para vencer na vida”?

Nossa! Cansei de ouvir dos professores, de parentes e amigos.

“— menino, você tem que estudar muito pra ser alguém na vida, vai estudar!”

… Estude mais para as provas; para aumentar suas notas; para passar de ano; para entrar na faculdade; para ter um bom emprego; para ter qualidade de vida; para…

Esse é o conselho que muitos de nós, enquanto alunos, recebemos desde os primeiros anos escolares; mas, depois de um certo tempo, descobrimos que a coisa não é tão simples assim. Uma vez que, estudar mais, poderia ser a solução para uma vida bem sucedida.

Você sabe e eu também sei que, para “vencer na vida”, estudar muito é necessário de alguma maneira, mas não o suficiente. Exige-se, muito mais do que uns diplomas.

As empresas privadas e o serviço público — de qualidade —, não querem somente o “canudo”, querem mais inteligência, mais criatividade e mais inovação; e o meio mais rápido para desenvolver tais habilidades é aprender como estudar melhor.

Portanto, definitivamente, estudar bem não é questão de quantidade, mas sim de qualidade.

Não importa tanto o número de horas disponíveis, seu tempo será mais produtivo se estudar com inteligência, para isso, será necessário ir além da realização do dever de casa.

O estudo eficaz tem haver com reflexão, análise, testes, prática e revisões periódicas do conhecimento adquirido. Desse modo, estudar passa a ser uma tarefa prazerosa e melhores notas ou diplomas, serão uma consequência e não a finalidade.

É bom sempre lembrarmos:

O propósito mais nobre do estudo deve ser a busca pelo desenvolvimento da inteligência.

Portanto, a sabedoria não está em “estudar mais”, mas, sim, estudar bem. Com isso em mente, é hora de aprender a dica #1 sobre como estudar melhor.

Dica #1: leia e relembre

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Você consegue se lembrar das principais ideias de uma página logo após a leitura?

Entre várias maneiras de se começar o estudo de um assunto, a leitura, é a mais usada. No entanto, só aprendemos por meio da leitura quando compreendemos satisfatoriamente o texto e, é um fato bem conhecido que a maioria das pessoas não sabem como ler bem.

Percebemos facilmente essa dificuldade à medida que precisam interpretar ou executar informações que acabaram de ler.

Assim, devemos ter consciência de que as habilidades de ler e relembrar são extremamente importantes, pois são indicadores chave de uma boa aprendizagem.

Para tornar a leitura mais produtiva e aumentar a capacidade de reter informações:

  • Leia sempre com um objetivo em mente. Os objetivos podem ser vários: assunto para um seminário, um relatório, uma prova ou uma matéria do seu interesse. Use esse objetivo para ajudar na identificação de informações relevantes para a finalidade do seu estudo.
  • O excesso de marcação de texto pode causar confusão, por isso não marque muitos trechos de um texto.
  • Jamais marque um trecho se você não consegue lembrar. Primeiro, guarde-o na memória através da recordação (veja uma dica no próximo item).
  • Aprenda e guarde na memória a ideia central de cada parágrafo ou se preferir, as de cada página. Utilize este truque: depois de terminar a leitura de uma página, desvie o olhar e dedique-se a pensar nas principais ideias. Não tem problema se você não conseguir se lembrar de todas na primeira vez que tentar, pois com a prática dessa técnica, você perceberá a mudança em suas habilidades de leitura e recordação.
  • Leia as informações chave em voz alta. Estudos realizados, demonstram que a leitura de informações em voz alta ajuda a aprender mais rápido do que ler silenciosamente (veja mais na dica 3 da dica #7).
  • Também é bom tentar relembrar as principais ideias em ambientes diferentes de onde você aprendeu originalmente. Pode ser numa outra sala, por exemplo.
  • Procure sempre exercitar sua capacidade de recordar as informações, sem auxílio de material externo. Como mencionei acima, essa habilidade é fundamental para uma aprendizagem significativa.

Aconselho também, que você assista a vídeoaula “O Perigo da Leitura Dinâmica”, para esclarecer alguns equívocos sobre a prática da leitura dinâmica.

Outra dica preciosa para validar nossa capacidade de leitura e memorização está relacionada aos testes de conhecimento. Assunto da dica #2.

Dica #2: teste sempre o seu conhecimento

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Você gosta de fazer testes?

É bem provável que sua resposta para essa pergunta seja… não.

A maior parte das pessoas não gosta por que realizar testes é uma tarefa trabalhosa. Em parte, isso ocorre pelo fato de que testes — provas, exames, quizzes, etc. — tendem a nos tirar da zona de conforto.

Contudo, décadas de pesquisas em psicologia cognitiva, mostraram que testar o conhecimento é uma ferramenta poderosa para aprender bem qualquer coisa.

O psicólogo Keith Lyle, PhD, da Universidade de Louisville, realizou um experimento, onde ensinou as mesmas aulas de estatística para duas turmas de graduação:

na primeira, ao final de cada aula, os alunos tinham que preencher com respostas curtas um miniteste formado de quatro a seis perguntas referentes ao assunto da aula. Eles acumulavam cerca de 8% da nota final.

Na segunda turma, o professor utilizou o mesmo programa de conteúdo, mas não utilizou os minitestes ao final das aulas.

No final do semestre, Lyle comprovou que os alunos da primeira turma superaram consideravelmente os da segunda, nos quatro exames realizados durante o semestre.

Embora a maior parte dos professores não utilize essa forma de “pequenos testes” diários em seus cursos, devemos testar nosso conhecimento regurlamente.

Para isso, podemos utilizar:

  • Flashcards (cartões com respostas no verso);
  • Exercícios de múltipla escolha;
  • Questões discursivas;
  • Criar o próprio questionário;
  • Locais adequados — simuladores ou objetos apropriados para treinar para provas práticas ou físicas.

E se você, em particular, está com dificuldade para melhorar seu desempenho nas provas, recomendo ver o nosso infográfico com “As 5 Técnicas de Estudo Mais Eficientes para Aumentar suas Notas”.

Não raro, o sucesso é resultado da boa preparação, feita a cada dia com pequenos passos em frente. Em virtude disso, como estudar melhor, também depende da nossa capacidade de saber quando e como dividir o conteúdo.

Dica #3: saiba quando e como dividir o conteúdo

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Primeiro, gosto de “passar os olhos por cima” do assunto todo para ter uma ideia geral e do nível de complexidade. E só depois penso em como será feita a abordagem, se vou estudar tudo diretamente ou por partes ou utilizar ambas.

A forma como nos aproximamos de um assunto pode influenciar, para mais ou para menos, nossa vontade em dar prosseguimento ao estudo.

Há casos em que a execução de uma tarefa pode demandar muito tempo para ser concluída e, a princípio, pode causar desânimo para iniciá-la — ou até mesmo, o seu abandono depois de iniciada. Nesse cenário, um ótimo plano é dividir a tarefa em pequenas partes e executar uma a uma.

A respeito do conteúdo, se você conhece apenas o único tipo tradicional de abordagem, aqui vão algumas dicas extras que funcionam muito bem:

  1. Estudo inteiro com partes extras. Nesta abordagem, primeiro você estuda todo o assunto diretamente para obter uma boa compreensão, depois você seleciona as partes que não entendeu e faz um estudo extra, reforçando cada uma.
  2. Estudo inteiro, parte, inteiro. Estude todo o assunto mais rápido do que o normal; em seguida, separe o assunto em partes que possam ser estudadas separadamente e, obviamente, que tenham lógica. Ao terminar de estudar todas as partes, volte e estude todo o conteúdo, novamente.
  3. Estudo por partes e progressivo. Separe o conteúdo em partes (primeira, segunda, terceira, …) e comece estudar a primeira. Depois, passe para a segunda parte, mas estude, novamente, a primeira junto com a segunda; continuando, estude a terceira parte, revisando a primeira e segunda partes, e assim sucessivamente. Percebeu como essa abordagem é cumulativa? Para conteúdo mais extenso ela é muito boa, pois ajuda a relembrar, ao longo do tempo, toda a matéria desde do início.

Além da abordagem utilizada, você pode colocar em prática outra dica de estudo confirmada pela ciência: aprender a mesma informação de várias maneiras.

De acordo com a neurologista e pesquisadora Judy Willis, diferentes mídias estimulam diferentes partes do nosso cérebro e quanto mais áreas do cérebro são ativadas, mais interconexões são realizadas.

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Dessa forma o conhecimento é consolidado em nossa mente, melhorando o entendimento e a manutenção da informação.

Há diversas formas de aprender uma mesma informação, por exemplo:

  • Em vez de apenas ouvir a informação (podcast, audiobook, etc.), que envolve aprendizagem auditiva, encontre uma maneira de experimentar essa informação de forma verbal e visualmente — o contrário também é válido.
  • Crie uma mapa mental (de preferência, desenhe à mão).
  • Ensine o que você aprendeu.
  • Pratique com problemas de fontes diferentes.
  • Procure e utilize outros recursos online.

Sei que pode ser muita coisa para fazer em um período de estudo, mas não há necessidade de usar todos o meios de uma vez.

No entanto, quando você for revisar algum tópico, utilize um recurso ou método diferente. Essa é uma dica para aprender melhor e mais rápido.

Como estudar Matemática: uma tática para aumentar a perícia na resolução de problemas

Como já mencionei aqui, fui professor de Matemática em cursos preparatórios para concursos, os famigerados cursinhos.

Como você deve saber, para ter um boa preparação e chances reais de classificação, o candidato precisa resolver muitos problemas, porém, a deficiência em Matemática básica, prejudica muito o desempenho do concurseiro.

Somando-se a isso, nos cursinhos, o tempo para ensinar a enorme quantidade de assuntos para a prova é, em geral, insuficiente. Por isso, nas aulas de Matemática, a maior parte do tempo era utilizado para ensinar como resolver problemas que poderiam cair na prova.

Os alunos, pelo menos os mais dedicados, tornavam-se verdadeiros “resolvedores de questões de provas” — o que considero limitado, mas que deve ser ensinado como parte do aprendizado geral, todavia, o objetivo de um cursinho é a aprovação do aluno no concurso.

Continuando…

A forma mais simples e eficiente para o aluno assimilar o máximo, era praticar a resolução de um problema até que fixasse em sua memória e fosse lembrada em um piscar de olhos, ou como dizíamos: “tem que tá na sangue”.

Basicamente a estratégia consiste em:

após encontrar a solução para um problema, repita-a até que seja capaz de resolvê-lo novamente sem vacilar. Tenha certeza absoluta de que você domina cada passo da solução, para usá-la sempre que precisar.

A professora Barbara Oakely, PhD, — autora do magnífico guia, o livro “Aprendendo a Aprender” — nomeia essa estratégia de resolver problemas como construção de blocos — um tipo de kit de ferramentas para solucionar problemas:

  1. Resolva um problema-chave de uma determinada matéria conforme a estratégia acima (pratique a solução até que ela venha à mente num instante); desse modo, você cria o primeiro bloco.
  2. Depois, encontre um novo problema — que exija outra solução, diferente do primeiro — e repita a estratégia. Assim a solução desse segundo problema, se tornará o segundo bloco da sua coletânea de blocos.
  3. E quando você se sentir confortável com esse problema, vá para o próximo. Aos poucos você formará uma poderosa coletânea de blocos.

Mesmo com apenas alguns blocos sólidos, você sentirá um aumento relevante na habilidade de resolver problemas; de modo mais amplo, aprender a fazer uso dessa estratégia o ajudará a resolver problemas com mais criatividade, e com efeito, melhorará seu desempenho em provas.

Além do mais, para garantir e aperfeiçoar sua aprendizagem, é necessário fazer revisões periodicamente…

Dica #4: faça revisões

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Nosso cérebro funciona como um músculo, ele só pode se dedicar a uma tarefa por vez e de forma limitada.

É fácil verificar esse fato quando deixamos para estudar na véspera da prova, como há excesso de informação, o cérebro não consegue assimilar tudo e nem reconhecer a importância do conteúdo; resultando em esquecimentos, baixo rendimento e no longo prazo, as “sequelas” são ainda piores.

Então, para melhorarmos nossa experiência de aprendizagem, não podemos ignorar o conhecimento do funcionamento do cérebro.

Daí, a importância de fazer revisões espaçadas no tempo — revisões periódicas são vitais para armazenar as informações na memória de longo prazo, isto é, obter uma retenção permanente.

Portanto, separe um período de estudo para revisar a matéria, executando um pouco a cada dia para não sobrecarregar o cérebro. Se você tem dúvida sobre o intervalo de tempo ideal para fazer revisões, saiba que isso depende de quanto tempo você quer manter a informação.

Daniel Wong, do site daniel-wong.com, após trabalhar com vários estudantes, propõe uma sistema de revisão que funciona muito bem:

  • 1ª revisão: 1 dia depois de aprender as novas informações
  • 2ª revisão: 3 dias após a 1ª revisão
  • 3ª revisão: 7 dias após a 2ª revisão
  • 4ª revisão: 21 dias após a 3ª revisão
  • 5ª revisão: 30 dias após a 4ª revisão
  • 6ª revisão: 45 dias após a 5ª revisão
  • 7ª revisão: 60 dias após a 6ª revisão

Acrescento a esse sistema, antes da primeira revisão, estudar a aula dada no mesmo dia, antes que se passe uma noite de sono. Logo, se você assistir à aula na segunda-feira, estude ainda nesse mesmo dia (e não um dia depois!).

Isso é primordial para informar ao cérebro que aquele assunto é importante e assim fixá-lo na memória de longo prazo.

Esse é um ciclo de revisão que você pode adotar para seus estudos, claro, faça as adaptações conforme o seu cotidiano e necessidades. É preciso lembrá-lo também que:

a revisão deve ser focada nas informações chave do conteúdo, previamente selecionadas durante a abordagem inicial e não um estudo completo de cada tópico; normalmente, o tempo de uma revisão deve ficar entre 10 e 15 minutos.

Fazendo revisões, você irá poupar tempo, diminuir o estresse e ansiedade, bem como tirar o máximo proveito do estudo; e como a memória de longo prazo não “vive” sem revisão, recomendo o seguinte artigo com mais dicas práticas sobre o assunto:

Dica #5: durante a prática de exercícios, misture o conteúdo

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Eu costumava estudar em média um ou dois assuntos por dia, mas a quantidade por matéria era um obstáculo. Às vezes, devido a complexidade, ficava “agarrado” vários dias no mesmo assunto, como se não houvesse mais matéria para estudar e isso deixava meu cronograma de estudos em desordem. Dificilmente conseguia terminar todo o programa.

Até que, por sugestão, decidi estudar vários assuntos por dia, o que, em pouco tempo, só fez aumentar meu rendimento.

Tempos depois, encontrei essa pesquisa, cuja conclusão, sugere que é mais eficaz estudar vários assuntos por dia, do que empenhar-se profundamente em apenas um ou dois assuntos.

Por quê?

Porque quando estudamos muito de um mesmo assunto, no mesmo dia, pode ocorrer confusão de informações semelhantes; por outro lado, a intercalação de assuntos ajuda a evitar o imbróglio.

Por exemplo, se você está se preparando para fazer provas de Matemática,
Inglês, Língua Portuguesa e Biologia, experimente estudar um pouco de cada assunto todos os dias, depois compare os resultados com o estudo de uma única ou duas matérias por dia.

Assim como no meu caso e outros, pode ser que seu estudo passe a render muito mais, já que seu cérebro terá mais tempo para consolidar a aprendizagem.

A mesma regra vale se você estiver se preparando para um único exame:

  • Treine com várias técnicas de resolução de problemas. Se você ficar muito tempo treinando apenas uma técnica, estará somente repetindo o que fez no problema anterior.
  • Misture os problemas para que você possa trabalhar com formas diferentes de resolução durante a mesma sessão de estudo e para reforçar o item anterior.

Assim, você aprenderá a saber como e quando utilizar uma determinada técnica.

E para tornar o aprendizado mais efetivo e marcante, escreva à mão — não digite. Escrever à mão forma estruturas neurais mais fortes na memória do que digitar.

Entretanto, se você ficar frustrado com algum problema, faça um intervalo; essa é uma dica indispensável sobre como estudar melhor.

Dica #6: faça intervalos

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A dedicação excessiva, sem interrupções — qualquer que seja a tarefa —, causa cansaço e estresse; prejudicando diretamente nossa capacidade de manter a atenção focada.

Por outro lado, é fácil perceber que podemos obter melhor desempenho na execução da tarefa, quando nosso cérebro e mente estão descansados, com seus níveis máximos de energia.

Por isso, para fortalecer nossa concentração e foco durante o estudo, devemos fazer pausas regulares (Ariga & Lleras, 2011). Se você ainda não tem esse costume, uma forma fácil de iniciar é:

com meia hora de estudo e uns dez minutos de intervalo. Durante o estudo dê o máximo de sua atenção, realizando a tarefa calmamente sem se preocupar com o término; na dica #8 tem outra dica que você poderá usar, de qualquer forma, mantenha a cadência:

Estudo… intervalo… estudo… intervalo… .

Para marcar o tempo de estudo, utilize um despertador e durante a pausa, evite o telefone e computadores, pois a pausa deve ser um descanso mental — você quer manter-se em estado de alerta quando voltar para o estudo — e tais dispositivos, impendem sua mente de relaxar totalmente.

Dica #7: explique o conteúdo do jeito mais simples possível

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Caso você, em algum momento da sua vida, aprendeu algo e em seguida ensinou para alguém, deve ter percebido o quanto esse processo fortalece o aprendizado.

Mas…

“Se você não consegue explicar algo de forma simples, você não entendeu suficientemente bem.” ~ Albert Einstein

Conforme um estudo publicado na revista Memory & Cognition, as pessoas aprendem melhor e lembram mais, quando acreditam que precisarão ensinar o conteúdo a outra pessoa.

“Quando comparados aos alunos que estudaram para fazer um teste, os alunos que estudaram para ensinar o conteúdo para outras pessoas conseguiram uma recuperação mais completa e melhor organizada do assunto; e no geral, acertaram mais perguntas, especialmente as mais importantes”, afirmou John Nestojko, um dos pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis.

Diante disso, podemos aplicar essa regra para aumentar a eficiência de nossa aprendizagem, mesmo sem ter alguém para ensinar.

Separei 4 fortes dicas para você extrair o melhor da sua própria explicação, tornando-a inesquecível.

Dica 1: explique de uma forma que até uma criança de 10 anos poderia entender

Toda vez que você achar um assunto muito difícil, faça a seguinte pergunta a si mesmo:

como posso explicar isso de um jeito que uma criança de 10 anos tenha condições de entender?

Assim você terá que encontrar palavras simples e fáceis que definem bem o assunto.

Dica 2: use analogias e metáforas

Analogias e metáforas são formas de representar um conceito ou uma situação, que nossa mente usa para entender com mais facilidade e de imediato.

No estudo e ensino de ciências, os melhores professores utilizam analogias com frequência, tais como:

  • “as ondas sonoras são como as ondulações circulares que se espalham de uma pedra ao cair na água”.
  • “os elétrons que passam ao longo de um fio são como o fluxo de água através de um tubo”.
  • “os glóbulos brancos são como ‘soldados’ que defendem nosso corpo contra as doenças, que são os ‘inimigos’.

Algumas analogias que fazemos muito aqui no Eu Sei Aprender quando falamos do cérebro ou da memória são:

  • “o cérebro e o computador”. Falando sobre cérebro e comparando o seu funcionamento com um computador.
  • “a memória e um gabinete de arquivos”. Explicando sobre memória e memorização para armazenar as informações como em um arquivo.

Uma metáfora que gosto bastante, em forma de história, é a do “Afiando o machado”. Você conhece?

Afiando o Machado

No Alaska, um esporte tradicional é cortar árvores. Certa vez, um jovem querendo torna-se um grande lenhador procurou aquele que era considerado o melhor de todos os lenhadores do país.

Ao encontrar o velho lenhador, o jovem pediu para ser seu discípulo, pois desejava aprender a cortar árvores como ele.

E assim, o jovem tornou-se aprendiz. Com empenho, dedicou-se ao aprendizado de todas as lições que recebia do mestre.

Porém, depois de muita dedicação, acreditou que poderia vencer o mestre numa competição. Se considerava mais forte, mais ágil, mais jovem que o mestre e por isso o venceria facilmente.

O velho lenhador aceitou o desafio. E a disputa teve início.

O aprendiz começou a cortar árvores como um louco. Acertava seu machado no tronco da árvore com um vigor jamais visto e sequer descansava.

De uma árvore para outra, sempre dava uma olhada para o mestre, mas na maioria das vezes via que ele estava sentado. Assim, acreditava absolutamente na sua vitória fácil diante de um velho cansado.

No final da competição, foi feita a contagem das árvores cortadas por ambos. E um olhar de surpresa surgiu no rosto do aprendiz.

Eis que o velho lenhador tinha cortado muito mais árvores do que o adversário.

Admirado, o aprendiz perguntou ao mestre:

— Como conseguiu esse feito, pois quase todas as vezes em que olhei, o senhor estava descansando?

E o mestre respondeu:

— Não, meu filho, eu não estava descansando. Estava afiando o machado. Foi por isso que você perdeu.

Como estudar tem tudo a ver com essa metáfora, não é?

Muitos estudantes querem alcançar melhores resultados sem um preparação adequada e agindo dessa forma, é como nadar, nadar e morrer na praia!

Guarde bem essa lição, pois é justamente isso que estamos fazendo nesse artigo, afiando nosso modo de estudar para aprender mais e melhor.

Dica 3: escreva sua explicação e diga-a em voz alta

Quando lemos silenciosamente uma informação, estamos utilizado apenas o sentido da visão, mas quando nos esforçamos para pronunciar em voz alta, estamos olhando e ouvindo; tais esforços, segundo estudos, podem parecer simples, contudo, têm um efeito impressionante para fixar as informações na memória com mais intensidade.

Dica 4: crie aulas para ensinar outras pessoas

Por experiência, sei que quanto mais compartilho, de forma legítima o meu conhecimento, mais aprendo e bençãos recebo; considero isto uma lei universal:

quem mais aprende é quem mais ensina.

Por isso e por diversos outros benefícios — como os citados na introdução dessa regra, o estudo publicado na revista Memory & Cognition —, sugiro que você aproveite essa dica.

Então, que tal dar uma força para parentes ou amigos que estão precisando aprender um assunto que você já estudou e sabe muito bem?

Vocês fazem parte de uma mesma sala de aula em algum curso?

Combine com eles que você pode dar uma pequena aula sobre aquele assunto, cuja dificuldade deles, já foi superada por você.

Ou…

Você está se preparando para uma apresentação?

Junte os conhecidos e apresente o conteúdo para eles, pedindo ao final que comentem sobre o que foi apresentado, aliás, essa é uma ótima forma de treinamento para palestrantes.

Prepare-se com dedicação e esforço para ensinar de forma clara e objetiva. Inclusive, faça uso das dicas anteriores para facilitar sua explicação e o entendimento de todos.

Dica #8: concentração e foco

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Procure um local sossegado, confortável e apropriado para manter a concentração. Logo, nada de TV, rádio, computador ou celular! E ouvir música, pode? Só se for música instrumental, sem cantores.

De modo geral, evite qualquer distração; no entanto, para aqueles que não podem abrir mão do computador por causa do estudo online, além das dicas a seguir, baixe nosso ebook “Produtividade Online: 13 Dicas Infalíveis para Evitar Distrações e Aumentar sua Concentração na Internet”.

Com tudo tranquilo, podemos começar nosso estudo. Recomendo 2 dicas poderosas a fim de intensificar sua atenção nas informações.

Dica 1: a máxima concentração no menor tempo possível

Na dica #6 falei sobre a importância de se fazer pausas durante o período de estudo para a manutenção da atenção. Vimos também que não conseguimos sustentar nossa atenção com estabilidade por um longo período, isto é, nossa capacidade de foco decresce com o tempo.

E o que fazer, então?

Ora, estude por um curto período de tempo, mas concentre-se intensamente.

Uma opção, para quem ainda não tem esse hábito, é experimentar a técnica pomodoro.

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A técnica pomodoro vai ajudá-lo a concentrar a atenção por um breve período de tempo.

  1. Primeiro programe um alarme para tocar em 25 minutos.
  2. Assim que a contagem do tempo iniciar, comece a estudar. Estude durante esse tempo com foco total; não se preocupe em terminar nada e, novamente, evite distrações. Mas caso venha a se distrair, volte imediatamente seu foco para o estudo.
  3. Quando os 25 minutos terminarem, faça uma pausa de 10 minutos e não utilize nada que tenha tela, é uma pausa mental — como explicado ao final da dica #6.

Ao término do intervalo, ajuste novamente o alarme e recomece com os passos 1, 2 e 3.

Caso queira fazer adaptações, fique à vontade. Há pessoas que conseguem conservar a atenção por períodos mais longos e gostam de dividir o tempo em períodos de 60 a 90 minutos; de qualquer jeito, realize testes, você vai encontrar o ritmo correto.

Dica 2: concentre-se no processo, não no resultado

“… Eu preciso estudar pra tirar uma boa nota”.

“… Eu preciso estudar pra passar de ano”.

“… Eu preciso estudar pra pegar o diploma”.

Você deve ter reparado que as frases acima são comuns no dia a dia dos estudantes. É provável que já tenha pronunciado alguma ou pelo menos pensado; outra coisa que essas frases têm em comum, mas passa despercebido pela maioria, é o foco do “estudar para…”.

O foco é excessivamente em coisas que deveriam ser uma consequência e não o fim em si; embora não há nada de errado em estabelecer objetivos e trabalhar para conquistá-los.

Por outro lado, quando olhamos demasiadamente para o futuro, esquecemos do único momento em que realmente podemos fazer alguma coisa: o presente, o aqui e agora.

Mas não fique se culpando por pensar e falar assim, a bem da verdade, fomos orientados desde criança para focar no futuro, com isso em mente, ficamos com a percepção — distorcida — de que a melhor maneira de alcançar um resultado desejado, é se concentrar no próprio resultado.

“Não aspirem ao sucesso — quanto mais a ele aspirarem e dele fizerem um alvo, mais falharão. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; deve acontecer… como se fosse o efeito secundário involuntário da dedicação pessoal a algo cuja grandeza nos ultrapassa”. ~ Viktor Frankl

… Essa forma de orientação, um tanto equivocada, é muitas vezes a maior causa da procrastinação.

Ao olhar para o resultado final, costumamos perceber algo muito grande e que vai dar muito trabalho para ser finalizado; e conscientes ou não, acabamos por adiar o início da tarefa.

Entretanto, estudantes bem-sucedidos se concentram no processo, em aprender todo dia um pouquinho, não em obter melhores notas ou simplesmente passar de ano.

Esse entendimento decorre em grande parte do trabalho da psicóloga Carol S. Dweck, pesquisadora da Universidade de Stanford, sintetizado no seu clássico livro “Mindset”, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos.

A pesquisa de Dweck mostra que estudantes bem-sucedidos:

  • Se concentram no esforço, não no resultado final.
  • Se concentram no processo, não na realização da tarefa.
  • Acreditam que sempre podem melhorar — mesmo em assuntos em que são fracos ou que não gostam — com tempo e forte dedicação.
  • Procuram por desafios.
  • Definem o sucesso como aprender algo novo e não como ter o histórico escolar com as maiores notas.
  • Sabem com “precisão cirúrgica” que a aprendizagem é um investimento de longo prazo com os maiores prêmios da vida.

Outro aspecto verificado pela pesquisa, imprescindível para se concentrar no processo, foi o fato de que estudantes bem-sucedidos estabelecem metas de aprendizado — por exemplo, resolver três problemas de Matemática por dia ou aprender cinco novas palavras inglesas todos os dias.

No exemplo acima, a meta é dominar e expandir o conhecimento sobre o conteúdo; infelizmente, para a maioria das escolas é mais relevante o resultado de uma prova, ou se o professor cumpriu ou não com o programa de conteúdo.

Por mais fácil que esse caminho possa parecer — notas, diplomas, etc —, se quiser aprender como estudar de forma inteligente e prosperar além dos padrões da mediocridade, é melhor deixar de lado o resultado e se concentrar no processo de aprendizagem.

No vídeo abaixo você poderá entender um pouco mais sobre o tema da pesquisa de Dweck, “a mentalidade do crescimento”.

Dica #9: faça o mais difícil primeiro

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Em qual horário do dia você tem mais energia para realizar seus estudos? Pode ser pela manhã ou à noite.

Se não sabe, faça uma auto análise por uma semana e anote os períodos do dia em que, você sente sua criatividade ou sua energia para desenvolver algo, no nível máximo.

Comece, então, a realizar a tarefa mais difícil nesse horário, pois:

  • Podemos concentrar toda nossa energia na realização da tarefa.
  • Nossa mente está mais resistente à distrações.

Você ficará impressionado como uma mente descansada, livre e criativa pode produzir tanto em tão pouco tempo.

Pessoalmente, tenho mais disposição nas primeiras horas do dia, por isso, reservo para esse momento a tarefa que exige mais foco e suor para ser realizada.

Mais do que uma dica, vejo isso como um hábito altamente produtivo, depois da realização da tarefa, o impacto positivo na mente é inevitável. Faz você se sentir mais criativo, confiante e vencedor; é como diz a frase atribuída a Mark Twain…

“Se sua ação toda manhã é comer um sapo vivo, você pode passar o dia com a satisfação de saber que, não importa o que aconteça no restante do dia, nada será pior.”

… Então, coma primeiro seus sapos!

Dica #10: ore e visualize mentalmente sua jornada

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Onde você quer chegar com seus estudos?

Uma coisa que sempre me disponho a fazer, antes de começar a aprender algo novo, é pedir força e inteligência através da oração e criar uma imagem mental bem definida do que quero atingir com o estudo; e continuo a orar e meditar regularmente nessa representação, principalmente quando sinto falta de interesse ou estou desmotivado.

Outro ótimo e recomendado exercício mental, é imaginar um filme de sua jornada passando pelo atual momento, até para onde seus estudos o levarão. Você também pode colocar lembretes, com palavras ou imagens no local de estudo, para lembrá-lo da realização de seu sonho.

“As pessoas costumam dizer que a motivação não dura sempre. Bem, nem o efeito do banho, por isso recomenda-se diariamente.” ~ Zig Ziglar

Essas atividades, feitas com a pura presença de espírito e fé, proporcionam mudanças positivas na forma de prosseguir com os estudos; uma delas é motivar e fazer crescer a ambição própria das pessoas de sucesso.

Consequentemente, todas as pessoas próximas a você, também serão beneficiadas pelo seu esforço e persistência no estudo. Todos, em algum nível, poderão aprender com você.

Conclusão (como estudar melhor)

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Como disse certa vez Thomas Edson, “Talento é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. Por isso, lembre-se: inteligência sem esforço contínuo, não serve de nada.

Aprender como estudar melhor pode levar tempo, e sempre é preciso estar determinado a estabelecer novos hábitos.

Comece aos poucos, implemente uma ou duas dicas da próxima vez que for estudar até que se transforme em um hábito de estudo. Não é necessário aplicar todas de uma vez.

Portanto, comece agora a usar essas dica para transformar a maneira como você estuda.

Faça da sua próxima hora de estudo a mais eficiente, inteligente e produtiva que você já estudou.

Libere seu potencial para estudar bem.

Você pode muito mais, não se contente com resultados medianos, vá além.

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